Acordo com a China Prevê Autoembargo por Newcastle
exportações de carne de frango seriam suspensas se a doença de newcastle for confirmada, diz a abpa
Um acordo assinado com a China prevê que as exportações de carne de aves do Brasil sejam suspensas em caso de ocorrência da Doença de Newcastle, doença viral que atinge aves de criação. A previsão se aplica a partir de um foco confirmado no domingo, em uma granja de perus de Santa Catarina, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em entrevista à Reuters nesta segunda-feira.
“Alguns países, como a China, se tiver uma dessas doenças (Newcastle ou gripe aviária), o Brasil precisa suspender as exportações, para ela definir como vai ficar a regionalização do embargo”, disse Santin. O chamado “autoembargo” faz parte do acordo firmado com o maior mercado importador de carne de frango do país, que é o maior exportador mundial do produto. A cláusula é ativada por Newcastle ou gripe aviária, e cabe depois à China decidir se o embargo será restrito à região ou ao estado atingido pelo foco.
O peso da China nas exportações
Entre janeiro e setembro, a China respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango, o equivalente a 420 mil toneladas, segundo dados do governo brasileiro citados na entrevista. Poucos países importadores têm esse tipo de acordo de autoembargo; a maioria tende a embargar apenas a área do foco, em um raio de 10 quilômetros. Um embargo que permita a regionalização, como o previsto com a China, concentra as perdas no local atingido e evita a suspensão total do comércio.
A lógica explica o peso de Santa Catarina na questão: o estado responde por pouco mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango. Se o embargo for restrito ao local do foco, afirma Santin, as perdas ficam atenuadas, porque o restante do território continua exportando. Ele admitiu, entretanto, que é difícil fazer, no momento, uma projeção de prejuízos decorrente do foco de Newcastle confirmado no domingo na granja de perus catarinense.
Com a confirmação do foco, a decisão fica a cargo da China: definir como fica a regionalização do embargo é o passo que vai determinar o tamanho das perdas brasileiras e o rumo das exportações do produto para o maior mercado de destino.
Fonte: InfoMoney
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