atualizado hoje
Economia

Finlândia, país mais feliz do mundo, enfrenta austeridade

Redacao TrendBuzz
Finlândia, país mais feliz do mundo, enfrenta austeridade
Foto: Esquerda.Net Flickr / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Dívida pública chegou a 90,3% do PIB e o país deve cortar serviços, benefícios e aposentadorias; eleições em 2027

A Finlândia, eleita pelo nono ano consecutivo o país mais feliz do mundo no Relatório Mundial da Felicidade, atravessa o pior momento fiscal desde a década de 1990. De acordo com reportagem do G1, a dívida pública chegou a 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, contra cerca de 65% antes da pandemia de covid-19.

Com eleições marcadas para abril de 2027, a discussão pública deixou de ser sobre o quanto cortar para se concentrar em quais serviços, benefícios sociais e aposentadorias sofrerão as maiores reduções.

Um ajuste entre 8 e 11 bilhões de euros

O governo do primeiro-ministro Petteri Orpo, no poder desde junho de 2023, pretendia economizar cerca de 9 bilhões de euros durante a atual legislatura. Segundo Jarkko Kivisto, assessor do departamento de política monetária e pesquisa do Banco da Finlândia, as estimativas para o próximo ciclo variam entre 8 bilhões e 11 bilhões de euros.

O Tesouro Nacional projetou, em setembro, que o déficit fiscal chegaria a 4,2% do PIB em 2026. A União Europeia intensificou a pressão: pelas regras do bloco, os países devem manter o déficit abaixo de 3% e a dívida dentro de 60% do PIB. O Conselho da UE abriu procedimento por déficit excessivo contra o país em janeiro, com prazo de correção até o fim de 2028.

No início de 2026, todos os partidos, com exceção de um, concordaram em adotar um mecanismo de contenção da dívida pública, que compromete o próximo governo a reduzir o déficit para cerca de 2% do PIB até 2031.

Por que a Finlândia está quebrada

Entre os fatores que ajudaram a explicar a crise, a reportagem aponta o aumento dos gastos com defesa após a entrada do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 2023, um ano depois do início da invasão russa da Ucrânia. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares subiram de 4,5 bilhões para mais de 8 bilhões de dólares por ano ao longo de mais de quatro anos de guerra.

Antes mesmo desse conflito, o governo já se comprometia a comprar 64 caças F-35A dos Estados Unidos, num acordo de aproximadamente 8,4 bilhões de euros. Helsinque também enfrentou custos elevados na transição de energia: antes dependia da Rússia para cerca de um terço de seu abastecimento.

O país tem desemprego de 10,3%, o mais alto entre os países da União Europeia, e desemprego jovem de 23,3%, bem acima da média europeia de 15,4%, segundo a Eurostat, agência de estatísticas da UE.

Lauri Holappa, diretor do Centro Finlandês de Nova Análise Econômica, alertou que uma nova rodada de austeridade representaria um duro golpe para a economia, já que mais de um quarto da população trabalha no setor público e a perspectiva de demissão reduziria ainda mais o consumo privado.

Para Orpo, o ajuste precisa ser feito sem elevar a carga tributária; os partidos de oposição, como os social-democratas, defendem combinar cortes com aumento de impostos. O economista Kivisto, porém, é categórico: “o déficit é tão grande que seria necessário um pacote que incluísse aumentos de impostos e cortes de despesas”.

As agências de classificação de risco mantêm a perspectiva do país estável, exceto a S&P, que alterou a perspectiva para negativa em abril, sem rebaixar a nota. Mesmo assim, alguns segmentos exportadores, especialmente os ligados a metais e navegação, seguem em forte expansão.

Fonte: G1

Leia tambem